AHRESP defende responsabilidade partilhada na prevenção da venda de tabaco a menores

Out 14, 2021

A conferência «A Idade Não se Vê — Encontro pela Proteção de Menores e pelas Vendas Responsáveis», promovida pela Grande Consumo, decorreu a 13 de outubro, em Lisboa. Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, destacou a importância da formação dos profissionais, da confirmação da idade no momento da venda e do envolvimento das famílias, das escolas e da comunidade na proteção de menores

Canto superior direito (da esq. para a dir): Diana Duarte, jornalista, David Sousa, Head of Smoke-free Products da Tabaqueira, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, Patrícia Firmino, chefe do Núcleo de Programas Especiais do Departamento de Operações da Polícia de Segurança Pública (PSP), Luís Lourenço, inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

O encontro, realizado no Estúdio Time Out Market, foi moderado pela jornalista Diana Duarte e contou com uma apresentação inicial de Carla Frazão, técnica superior do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), sobre os novos comportamentos, os desafios da prevenção e a responsabilidade partilhada na proteção de menores.

Seguiu-se o painel «A responsabilidade de proteger menores é de todos», que reuniu Luís Lourenço, inspetor-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Patrícia Firmino, chefe do Núcleo de Programas Especiais do Departamento de Operações da Polícia de Segurança Pública (PSP), Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP e David Sousa, Head of Smoke-free Products da Tabaqueira. A sessão de encerramento esteve a cargo de Jorge Seguro Sanches, diretor-geral da Direção-Geral do Consumidor.

Formação e proximidade aos empresários

Na sua intervenção, Ana Jacinto destacou o trabalho da AHRESP na sensibilização, formação e capacitação dos empresários, sublinhando a importância de iniciativas que aproximem os profissionais das entidades competentes e facilitem a compreensão das obrigações legais.

“Não é suficiente comunicarmos à distância. É preciso estar com os empresários e perceber qual é a realidade que têm no seu espaço”, afirmou, destacando o papel de iniciativas como o Roadshow Nacional AHRESP × ASAE, que promove o esclarecimento e o contacto direto com os empresários em diferentes pontos do país.

Ana Jacinto salientou também os desafios associados à elevada rotatividade das equipas, que tornam necessária uma formação contínua: “Há uma grande rotatividade, portanto temos sempre de intensificar a formação”, referiu, alertando para a persistência de situações em que a idade não é devidamente confirmada e para a resistência de alguns consumidores perante este procedimento.

Para a secretária-geral da AHRESP, a verificação da idade deve tornar-se uma prática natural no momento da venda, integrada numa cultura de cumprimento voluntário e de responsabilidade.

Uma responsabilidade de toda a sociedade

Questionada pela moderadora sobre onde reside a maior fragilidade na proteção de menores, Ana Jacinto apontou o acompanhamento familiar como uma das áreas que merece maior atenção, sem desvalorizar o papel das empresas e das escolas.

“O que nós sentimos é que, de facto, as famílias hoje estão muito desconectadas daquilo que é a vida dos seus filhos”, afirmou, defendendo que a prevenção deve começar desde cedo e envolver todos os intervenientes na educação e proteção dos jovens.

Ana Jacinto salientou que a proteção de menores implica também uma atuação responsável por parte dos empresários no momento da venda: “Temos responsabilidade porque fazemos a venda ou não fazemos a venda”, afirmou, sublinhando que a decisão de não realizar uma venda quando não é possível confirmar o cumprimento dos requisitos legais constitui uma parte essencial da responsabilidade dos profissionais no atendimento ao público.

A secretária-geral da AHRESP alertou ainda para os constrangimentos económicos que condicionam a atividade das empresas, nomeadamente as margens reduzidas e a pressão operacional, que podem limitar a capacidade de investimento na formação e capacitação das equipas. Reconheceu estas dificuldades, sem deixar de reforçar que não isentam os operadores económicos das suas responsabilidades.

Parceira desta iniciativa desde o seu início, a AHRESP reafirma, o seu compromisso com a continuidade deste trabalho de sensibilização. Para Ana Jacinto, a proteção de menores exige uma resposta concertada, que associe a formação contínua dos profissionais ao cumprimento das regras pelas empresas e ao envolvimento ativo das famílias, das escolas, das autoridades e da comunidade.

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