AHRESP defende qualificação e ligação ao território para criar valor no Alojamento Local

Out 14, 2022

Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, participou, a 8 de outubro, na 1.ª Cimeira Nacional do Alojamento Local, no Batalha Centro de Cinema, no Porto, e destacou a formação, a hospitalidade e a cooperação como pilares do desenvolvimento do setor

Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, e David Almeida, presidente da ALPN – Associação Alojamento Local Porto e Norte

“Que valor fica no território depois de cada estadia?” foi a questão que orientou o contributo de Ana Jacinto no painel “Qualificar para Criar Valor. Pessoas, Experiências e Ecossistema: preparar o futuro do Alojamento Local”. A secretária-geral da AHRESP defendeu que o sucesso do setor deve ser avaliado também pelo emprego que cria, pela dinamização do comércio e da restauração, pela reabilitação do edificado e pela ligação às comunidades, e não apenas pelo número de camas e dormidas, “que são indicadores úteis, mas dizem-nos quanto cresceu o setor e não quanto ele contribui”, realçou.

“Dois alojamentos com o mesmo número de camas podem deixar valor muito diferente. A diferença está nas pessoas que os gerem, na experiência que oferecem e na forma como se ligam à comunidade“, afirmou. Neste sentido, sublinhou que “qualificar é mais do que cumprir. É passar de uma lógica de quantidade para uma lógica de contributo”.

Ana Jacinto destacou a importância da formação contínua e do acolhimento personalizado, aliados a competências digitais, de comunicação e de gestão. Perante turistas mais informados e exigentes, a diferenciação do Alojamento Local passa pela proximidade, pelo conhecimento da comunidade e pela qualidade consistente do serviço.

Neste contexto, salientou que “a tecnologia deve libertar tempo para o que tem mais valor: o contacto humano”. A automatização de tarefas pode melhorar a eficiência e permitir maior atenção ao hóspede, mas, como lembrou, “a hospitalidade continua a ser, na sua essência, uma relação entre pessoas”.

A secretária-geral da AHRESP reforçou ainda a necessidade de promover parcerias entre alojamento, restauração, produtores, agentes culturais e entidades públicas, valorizando a identidade dos destinos e distribuindo os benefícios do turismo por mais intervenientes. “As associações têm um papel central como ponto de encontro e de representação”, destacou.

No domínio das políticas públicas, defendeu estabilidade legislativa, menos burocracia e apoios à qualificação e à inovação. Abordou também a aplicação das receitas das taxas turísticas, reiterando a posição crítica da AHRESP e a exigência de um retorno transparente para os territórios: “Mas, existindo a taxa, a nossa exigência é clara: a receita tem de ser aplicada no território, e os residentes têm de perceber esse retorno.”

“Quando o residente reconhece o benefício do turismo no seu bairro, o setor ganha legitimidade e a comunidade ganha confiança”, afirmou, sintetizando a importância de aproximar a atividade turística das populações.

Organizada pela ALPN – Associação Alojamento Local Porto e Norte, com apoio institucional da Câmara Municipal do Porto, do Turismo do Porto e Norte e da CCDR-NORTE, a cimeira reuniu, nos dias 7 e 8 de outubro, mais de 40 oradores e mais de 200 participantes.

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