AHRESP alerta para pressão estrutural na restauração e pede medidas ajustadas à realidade do setor

Jan 12, 2026

A AHRESP tem acompanhado com grande atenção os alertas feitos por vários profissionais na restauração sobre a crescente dificuldade de sustentabilidade do setor em Portugal, uma realidade que a Associação tem vindo a sinalizar de forma consistente. Em declarações a vários meios de comunicação, nomeadamente PÚBLICO, OBSERVADOR e SÁBADO, a secretária-geral da AHRESP reconhece que há vários fatores que convergem para criar um ambiente de negócios “muito difícil” no setor, e defende que a restauração exige políticas públicas mais ajustadas à realidade das empresas e dos territórios, capazes de proteger um setor que gera emprego, atrai turismo e mantém viva a identidade local

Em declarações ao Público, Observador e Sábado, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, alertou para a crescente pressão que pesa sobre a restauração portuguesa, num contexto marcado por custos elevados, margens reduzidas e uma grande fragilidade das microempresas que dominam o setor.

No Público, Ana Jacinto chamou a atenção para o facto de os números oficiais não refletirem plenamente a realidade do setor. Segundo explicou, muitos encerramentos acontecem de forma silenciosa.

(…) contam-se as dificuldades financeiras acumuladas desde a pandemia e a tendência inflacionista que se lhe seguiu, diz Ana Jacinto, referindo o peso que a massa salarial e, sobretudo, os custos das matérias-primas e da energia foram assumindo no prato das despesas. Mas, ao mesmo tempo, explica, “verifica-se uma enorme carência de trabalhadores” nestes estabelecimentos.  [in Público]

Ao Observador, a secretária-geral da AHRESP sublinhou que o setor continua a operar num quadro de grande instabilidade financeira. Apesar da recuperação da procura turística, muitas empresas ainda não conseguiram recuperar do impacto da pandemia e enfrentam hoje um aumento expressivo dos custos com energia, rendas, matérias-primas e trabalho, o que limita a sua capacidade de investimento e adaptação.

(…) nos últimos meses houve, de facto, muitos destes encerramentos silenciosos, “sobretudo de micro-empresas e até de muitos estabelecimentos já com muitos anos, que estão efetivamente a fechar por falta de tesouraria e condições para continuarem a desenvolver o trabalho que desenvolviam”. Em comparação com o ano anterior, a AHRESP confirma que está a ter mais queixas de encerramentos e mais preocupações no final de 2025 do que no final de 2024 e que estão atentos na procura de soluções para 2026.” [in Observador]

Já na revista Sábado, Ana Jacinto destacou que os restaurantes de menor dimensão são os mais expostos a este contexto adverso. A pressão simultânea dos custos, da concorrência e da alteração dos hábitos de consumo tem vindo a tornar o ambiente de negócio particularmente difícil, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
A associação apresentou propostas ao Governo no âmbito do Orçamento do Estado (OE), algumas delas acolhidas e outras não, incluindo medidas fiscais favoráveis e instrumentos financeiros com vista à liquidez nos negócios. Segundo Ana Jacinto, o objetivo é criar condições para que as empresas possam “produzir riqueza”.  [in Sábado] 

A AHRESP reafirma que a restauração é um pilar económico, social e cultural do país, mas defende que a sua sustentabilidade exige políticas públicas mais ajustadas à realidade das empresas e dos territórios, capazes de proteger um setor que gera emprego, atrai turismo e mantém viva a identidade local.

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