Em declarações ao Público, Observador e Sábado, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, alertou para a crescente pressão que pesa sobre a restauração portuguesa, num contexto marcado por custos elevados, margens reduzidas e uma grande fragilidade das microempresas que dominam o setor.
No Público, Ana Jacinto chamou a atenção para o facto de os números oficiais não refletirem plenamente a realidade do setor. Segundo explicou, muitos encerramentos acontecem de forma silenciosa.
(…) contam-se as dificuldades financeiras acumuladas desde a pandemia e a tendência inflacionista que se lhe seguiu, diz Ana Jacinto, referindo o peso que a massa salarial e, sobretudo, os custos das matérias-primas e da energia foram assumindo no prato das despesas. Mas, ao mesmo tempo, explica, “verifica-se uma enorme carência de trabalhadores” nestes estabelecimentos. [in Público]
Ao Observador, a secretária-geral da AHRESP sublinhou que o setor continua a operar num quadro de grande instabilidade financeira. Apesar da recuperação da procura turística, muitas empresas ainda não conseguiram recuperar do impacto da pandemia e enfrentam hoje um aumento expressivo dos custos com energia, rendas, matérias-primas e trabalho, o que limita a sua capacidade de investimento e adaptação.
(…) nos últimos meses houve, de facto, muitos destes encerramentos silenciosos, “sobretudo de micro-empresas e até de muitos estabelecimentos já com muitos anos, que estão efetivamente a fechar por falta de tesouraria e condições para continuarem a desenvolver o trabalho que desenvolviam”. Em comparação com o ano anterior, a AHRESP confirma que está a ter mais queixas de encerramentos e mais preocupações no final de 2025 do que no final de 2024 e que estão atentos na procura de soluções para 2026.” [in Observador]
A associação apresentou propostas ao Governo no âmbito do Orçamento do Estado (OE), algumas delas acolhidas e outras não, incluindo medidas fiscais favoráveis e instrumentos financeiros com vista à liquidez nos negócios. Segundo Ana Jacinto, o objetivo é criar condições para que as empresas possam “produzir riqueza”. [in Sábado]
A AHRESP reafirma que a restauração é um pilar económico, social e cultural do país, mas defende que a sua sustentabilidade exige políticas públicas mais ajustadas à realidade das empresas e dos territórios, capazes de proteger um setor que gera emprego, atrai turismo e mantém viva a identidade local.






