Neste artigo de opinião, a secretária-geral da AHRESP sublinha que o turismo, enquanto atividade assente na confiança, “só floresce em ambientes de paz”, alertando para os efeitos diretos e duradouros dos contextos de instabilidade nas economias locais. Citando estudos internacionais, recorda que, em cenários de conflito, “as chegadas de turistas podem cair, em média, 45%, e as receitas até 57%”, com impactos que se prolongam por vários anos.
Ana Jacinto destaca ainda que as ameaças à segurança não se limitam à geopolítica. As alterações climáticas e os fenómenos extremos têm vindo a afetar diretamente territórios e empresas, incluindo em Portugal, onde episódios recentes evidenciaram a vulnerabilidade de setores como o alojamento e a restauração.
Neste contexto, lembra que a Lei de Bases do Clima determinava a aprovação dos Planos Municipais de Ação Climática até fevereiro de 2024, mas alerta que muitos continuam por concretizar, deixando territórios mais vulneráveis.
Assim, defende uma resposta assente numa ação mais preparada e coordenada ao nível do território, destacando o papel central dos municípios, que descreve como verdadeiras “potências médias”, pela proximidade às comunidades e pelo conhecimento do terreno, reforçando que “planos climáticos não são um luxo ambiental; são instrumentos de sobrevivência económica”.
E conclui: “Discutir segurança, hoje, significa articular duas dimensões inseparáveis: a estabilidade internacional e a resiliência territorial. Porque, no fim, todas as catástrofes, sejam elas humanas ou naturais, repetem a mesma lição: quando a segurança se perde, os territórios deixam de ser destinos.”






