Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, considera que a restauração já enfrentava um cenário difícil antes da atual conjuntura internacional, sublinhando que os efeitos da pandemia continuam a pesar nas empresas, nomeadamente através dos créditos contraídos nesse período.
A este contexto soma-se o aumento dos custos operacionais, como o das matérias-primas, sobretudo alimentares, salariais, bem como a ausência de medidas estruturais de alívio fiscal. “A maioria das medidas que a AHRESP apresentou, nomeadamente na área fiscal, não foram acolhidas e o cenário só se agravou entretanto”, afirmou.
Mais recentemente, fatores como as tempestades em território nacional e o conflito no Médio Oriente vieram intensificar a pressão sobre as empresas, com impacto no preço dos combustíveis, na logística e no poder de compra das famílias. “Tudo isso tem impacto nos nossos setores e nas famílias”, destacou.
Ana Jacinto alerta ainda para o fenómeno dos “encerramentos silenciosos”, que não se reflete totalmente nas estatísticas oficiais, mas que são acompanhados no terreno pela associação, através das suas 16 delegações e nove pólos: “há muitos encerramentos que já estavam a acontecer muito antes do conflito”.
Perante este cenário, a responsável defende a urgência de medidas de apoio. Embora reconheça que seriam desejáveis soluções estruturais, admite que, no imediato, são necessárias respostas rápidas: “não temos outra alternativa senão ter medidas paliativas, mas rápidas, que criem liquidez nas empresas e ajudem a tesouraria”.






