Eventos que Influenciam: quando o palco se torna estratégia

Abr 20, 2026

Num mundo saturado de estímulos, onde captar atenção é cada vez mais exigente, a última sessão da pós-graduação em Imagem, Protocolo e Organização de Eventos, da Universidade Europeia, desafiou os alunos a repensar o papel dos eventos institucionais. Com Ana Jacinto e Bruno Batista, o debate foi além da teoria: como criar experiências relevantes, influentes e verdadeiramente diferenciadoras neste contexto?

Recentemente, o Oriente Green Campus acolheu a última sessão da 36.ª edição da pós-graduação, dedicada ao tema “Marketing & Eventos”. A sessão contou com a presença de Carla Cachola, coordenadora do curso, e com as participações de Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, e de Bruno Batista, chairman do GCIMEDIA Group.

Num cenário onde a atenção é um recurso escasso, os eventos assumem-se, cada vez mais, como plataformas estratégicas de influência, exigindo novas abordagens, maior criatividade e uma visão integrada entre tecnologia e humanidade.

Partindo de um caso prático – o próximo Congresso da AHRESP, que decorrerá em outubro, em Lagoa, no Algarve, sob o mote “A Arte do Conhecimento | Onde a Intuição Encontra o Algoritmo” –, os alunos foram desafiados a pensar os contornos de um evento institucional disruptivo, capaz de captar atenção num ecossistema saturado de estímulos. Como comunicar conteúdos relevantes e, ao mesmo tempo, manter os congressistas envolvidos?

Entre as sugestões partilhadas, Ana Jacinto destacou a iniciativa “Restaurante ao Vivo”, um formato inovador introduzido no Congresso AHRESP 2024. A proposta levou ao palco toda a cadeia de valor “do prado ao prato”, reunindo produtores, chefs e equipas em contexto real de serviço, com música e pintura a decorrer em simultâneo. O resultado foi um modelo de conteúdos dinâmico e imersivo, com elevados níveis de envolvimento por parte do público.

Este conceito deu origem à marca “Restaurante ao Vivo”, que, desde então, tem sido replicada em várias regiões do país como evento autónomo. Um exemplo claro de como é possível romper com os formatos tradicionais e criar experiências mais impactantes do que as clássicas mesas-redondas.

Tecnologia e humanidade: que equilíbrio?

Entre os principais temas abordados, destacou-se a necessidade de equilibrar tecnologia e fator humano. Se, por um lado, a inteligência artificial e as ferramentas digitais são hoje incontornáveis, por outro, não podem substituir a dimensão emocional e relacional, em particular numa atividade como o turismo, onde experiência e contacto humano são centrais. “A tecnologia deve simplificar processos e libertar tempo, mas nunca substituir a criatividade, a intuição e a relação humana”, sublinhou Ana Jacinto.

Outro ponto crítico prende-se com o desfasamento geracional e tecnológico: Enquanto os novos profissionais entram no mercado com forte preparação digital, muitas lideranças ainda não acompanham essa evolução, gerando tensões internas e dificuldades na retenção de talento”, afirmou ainda a secretária-geral da AHRESP. Este contexto reforça a importância de eventos que não apenas comuniquem, mas que também eduquem, aproximem e promovam mudança.

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