RESTAURAÇÃO: UM MOTOR DA ECONOMIA, A TRABALHAR NO LIMITE

Out 1, 2026

A AHRESP divulga as conclusões do Estudo de Impacto Económico do Setor da Restauração, elaborado pela EY-Parthenon, que mede o contributo total do setor para a economia e evidencia as fragilidades das suas empresas, num contexto nacional e internacional particularmente exigente

Com 7,6% do PIB e 523 mil postos de trabalho, a RESTAURAÇÃO  é um dos setores que sustenta o país, mas opera com margens de 3% e já fecha mais empresas do que cria. Alguns dados a reter: um em cada 10 empregos em Portugal é viabilizado pela restauração; apresenta margem líquida de 3% contra 8,2% no conjunto da economia; os encerramentos superam a criação de empresas

O IMPACTO TOTAL DO SETOR NA ECONOMIA

Considerando toda a cadeia de valor, a restauração gerou em 2025 um impacto total de:

  • 23,4 mil milhões de euros de valor acrescentado bruto (VAB), equivalentes a 7,6% do PIB;
  • 523 mil postos de trabalho, 9,7% do emprego nacional;
  • 11,7 mil milhões de euros em remunerações, 7,9% do total nacional;
  • 6,45 mil milhões de euros de receita fiscal e contributiva, 5,9% do total.

Por cada euro gerado nos estabelecimentos, o setor mobiliza 2,5 euros na economia. É ainda um pilar do turismo: capta cerca de 24% da despesa dos turistas e representa 24,4% do VAB turístico.

UMA CADEIA DE VALOR QUE ATRAVESSA TODA A ECONOMIA

Mais de metade do impacto ocorre fora do setor, do setor primário ao terciário. A montante, a restauração mobiliza a agricultura e as pescas, a indústria alimentar e das bebidas, a distribuição, a energia e os transportes; a jusante, as remunerações pagas ao longo da cadeia alimentam o consumo das famílias.

Em resultado, sustenta cerca de 260 mil empregos noutros setores e 6,2 mil milhões de euros em remunerações fora da sua atividade. Em vários concelhos do interior e do Algarve, representa entre 7% e 11% do tecido empresarial local.

FRAGILIDADES QUE LIMITAM A CAPACIDADE DE RESPOSTA

  • 91% das empresas são microempresas, que geram apenas 39% do volume de negócios;
  • a margem líquida das sociedades é de apenas 3,0%, face a 8,2% na economia, e chegou a ser negativa em 2020;
  • Portugal é dos poucos países da UE com saldo negativo no setor (mais encerramentos do que aberturas);
  • 71% do balanço é financiado por capital alheio, com a taxa de juro efetiva a subir para 4,5%;
  • a produtividade (19,4 mil euros por trabalhador) situa-se em cerca de 60% da média nacional.

UM CONTEXTO QUE AGRAVA OS RISCOS

Segundo a estimativa rápida do INE, a inflação acelerou para 3,6% em setembro, o valor mais elevado desde setembro de 2023, com a energia a subir 15,4% e os combustíveis em níveis recorde. A instabilidade internacional mantém elevada a incerteza sobre os custos e a procura.

Com margens reduzidas e elevado endividamento, muitas empresas têm pouca capacidade para absorver novos aumentos de custos ou quebras de procura. E, dado o efeito multiplicador do setor, uma deterioração da restauração repercute-se nos fornecedores, no emprego e na receita pública, penalizando toda a economia nacional.

A AHRESP considera que a real dimensão do setor e as suas fragilidades devem ser tidas em conta nas políticas públicas, em particular na preparação do Orçamento do Estado para 2027, criando condições para que as empresas enfrentem a pressão dos custos e preservem os postos de trabalho.

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