Conheça os principais momentos de um Congresso memorável com mais de 20 horas de debates, talks e workshops, que reuniram no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa, 37 oradores, mais de 1200 participantes e 31 patrocinadores e parceiros, nos dias 22 e 23 de outubro. Um encontro particularmente simbólico no ano em que a AHRESP celebra 130 anos.
SESSÃO DE ABERTURA
A sessão de abertura aconteceu num formato dinâmico de entrevista, pelas moderadores Rosália Amorim e Rosário Lira, e contou com Carlos Moura (presidente da AHRESP), André Gomes (presidente da Turismo do Algarve), Luís Encarnação (presidente do Município de Lagoa), José Apolinário (presidente CCDR Algarve), Pedro Machado (secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços). António José Seguro, Presidente da República, enviou uma mensagem, lida por Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP. Luís Montenegro, Primeiro-Ministro, associou-se também à iniciativa com uma mensagem em vídeo.
Turismo quer chegar aos 50 milhões de visitantes internacionais
Na abertura do Congresso, Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, apontou também para uma ambição de crescimento do Turismo português: passar dos atuais cerca de 30 milhões de turistas internacionais para 50 milhões em 2035.
Para que esse crescimento seja sustentável, destacou a importância das pessoas, da qualificação e do investimento, adiantando que a nova estratégia nacional para o Turismo será apresentada ainda este ano.
Pedro Machado anunciou também que o Código de Licenciamento das Atividades Económicas (CLAE), que entrará em breve em discussão pública, assim como referiu existir já um primeiro documento de trabalho relativo à Lei n.º 33/2013, que rege as Entidades Regionais de Turismo.
A necessidade de tornar os processos mais simples e acelerar a execução dos fundos europeus foi igualmente salientada por José Apolinário, Presidente da CCDR Algarve, que destacou a importância de alinhar entidades públicas, empresas e território em matérias como o licenciamento, a inovação, a digitalização e a qualificação.
Algarve: crescer sem perder identidade
O território anfitrião esteve em destaque na sessão de abertura. André Gomes, Presidente do Turismo do Algarve, defendeu o desenvolvimento turístico em que o sucesso deixe de ser medido sobretudo pelo crescimento do número de hóspedes e passe a ser avaliado também pelo valor que a atividade acrescenta às empresas, aos territórios e às comunidades. “Já passámos claramente a fase do crescimento exponencial a dois dígitos ao nível de hóspedes, nem creio que deva ser esse o nosso foco atualmente. Temos, acima de tudo, de continuar a encontrar formas de a nossa atividade impactar cada vez mais o território”, afirmou.
Por sua vez, Luís Encarnação, Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, destacou o peso do Turismo na economia de Lagoa, afirmando que a hotelaria e a restauração são motores da economia local, geradores de emprego e riqueza e com efeitos que se estendem muito para além das próprias empresas turísticas. A ambição, sublinhou, é continuar a crescer sem perder aquilo que distingue o território — a sua identidade, a cultura e a gastronomia, incluindo alguns dos seus símbolos mais genuínos, como os carapaus alimados.
Já o Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, participou no Congresso através de uma mensagem em vídeo, na qual sublinhou que o Governo está a criar as condições para o crescimento das empresas, com acesso a financiamento, valorização do talento e desburocratização, reafirmando a ambição de posicionar Portugal como destino turístico de referência mundial. Associou esse objetivo à necessidade de melhorar infraestruturas estratégicas, incluindo a capacidade aeroportuária de Lisboa.
Numa mensagem dirigida aos participantes, o Presidente da República, António José Seguro, deixou igualmente um desafio de médio e longo prazo: aproveitar a transformação tecnológica sem colocar o homem contra a máquina, mas colocando as pessoas a trabalhar com a tecnologia.
Tecnologia sim, mas com pessoas
Essa foi, aliás, a ideia que atravessou grande parte do programa.
Sérgio Ferreira, Partner Europe West Consulting Services da EY Portugal, levou o conceito mais longe: o profissional do futuro será um “humano aumentado”, capaz de trabalhar com agentes de inteligência artificial que libertam tempo para tarefas de maior valor.
Miguel Poiares Maduro, advogado, professor universitário e ex-Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, trouxe outra dimensão ao debate ao defender uma espécie de “código da hospitalidade”, assente na cultura e na identidade de quem recebe.
E Adriano Moreira, Secretário de Estado Adjunto e do Trabalho, recordou que, apesar da velocidade da transformação, algumas dimensões permanecem: o trabalho, o talento e até o receio perante a mudança. A tecnologia pode apoiar a decisão; a capacidade de criar, adaptar e surpreender continua a pertencer às pessoas.
Nas sessões dedicadas à restauração e ao alojamento, 14 profissionais e especialistas cruzaram experiência, gestão, dados e tecnologia para identificar caminhos concretos de melhoria dos negócios. As conclusões apontaram para uma utilização crescente da inteligência artificial e da informação na previsão da procura, controlo de custos, reputação, reservas, equipas e relação com o cliente. Ficou também claro que a tecnologia só cria valor quando é acompanhada por conhecimento operacional, capacidade de interpretação e processos bem definidos. No essencial, decidir melhor exige combinar dados, experiência e conhecimento do negócio.
Democracia, Europa e aceleração da inteligência artificial
A reflexão sobre o futuro das empresas foi também colocada num contexto mais amplo. José Ribau Esteves, presidente da CCDR do Centro, levou ao Congresso uma reflexão sobre a qualidade da democracia e a responsabilidade de quem governa, defendendo que os governos devem “exercer o poder e não apenas estar no poder”.
Na reta final do Congresso, Maria Manuel Leitão Marques, ex-eurodeputada, trouxe a dimensão europeia para o debate, lembrando que muitas das grandes decisões que condicionam a atividade das empresas portuguesas partem de Bruxelas. Perante esse contexto, defendeu que Portugal tem de saber conjugar firmeza na defesa dos seus interesses com inteligência e capacidade de diálogo na abordagem — ser, nas suas palavras, simultaneamente “amargo e doce”.
Hélder Silva, Eurodeputado, começou por referir que o grande desafio da infraestruturação e da abertura aos mercados é um bom exemplo do que aconteceu de bom em Portugal, que analisa a dois momentos: até há 40 anos e depois, que pauta o caminho trilhado dentro da União Europeia, e que o canal HORECA foi dos que mais face aos poucos fundos a que tinham acesso.
Já Bernardo Correia, Secretário de Estado para a Digitalização, chamou a atenção para a ainda reduzida utilização da inteligência artificial nas atividades de alojamento e restauração. Segundo os dados apresentados no Congresso, o nível de penetração da IA no HORECA é de 8,4%, um valor que, afirmou, demonstra a necessidade de acelerar a transformação digital das empresas.
O governante enquadrou esse esforço numa ambição mais ampla de modernização da economia portuguesa e deixou um apelo direto aos empresários e profissionais presentes: “Juntem-se a nós neste desígnio nacional.”
Depois de dois dias de debate, casos práticos, sessões paralelas, encontros B2B, gastronomia e reflexão sobre o futuro, uma conclusão atravessou todo o Congresso Nacional AHRESP 2026: a inteligência artificial pode ajudar as empresas a conhecer, antecipar e decidir melhor. Mas a hospitalidade continua a ser uma atividade feita por pessoas e para pessoas.














