Que lugar ocupa o pão na nossa alimentação e como se prepara a panificação portuguesa para o futuro? Estas foram as questões que marcaram a iniciativa “À volta do Pão”, que reuniu profissionais e especialistas para refletir sobre a importância deste produto na cultura, na alimentação e na identidade gastronómica nacional.
Na sessão de abertura, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, destacou a importância da colaboração entre os diferentes intervenientes da cadeia de valor do pão: “Só vamos crescer, só vamos qualificar, só vamos valorizar se, de facto, soubermos trabalhar em rede”, afirmou, defendendo a cooperação como um caminho essencial para fortalecer e valorizar o setor.
Também o presidente da Câmara Municipal de Mafra, Hugo Moreira Luís, sublinhou a ligação histórica do pão ao concelho, destacando a sua importância cultural, económica e nutricional: “Em Mafra, o pão, já há muitas décadas, faz parte da nossa história, faz parte da nossa identidade, faz parte da nossa cultura, mas, acima de tudo, faz parte da nossa tradição”, afirmou. O autarca salientou ainda o potencial do Pão de Mafra para a valorização do território e a importância de promover a sua presença na alimentação escolar.
Moderado por Paulo Amado, fundador das Edições do Gosto, o debate contou com a participação de Olga Cavaleiro, socióloga e investigadora na área do património gastronómico, Vítor Sobral, vice-presidente da AHRESP, Bruno Luz, da Padaria Pão Real, Elisabete Ferreira, da Padaria Pão de Gimonde, distinguida como Melhor Padeira do Mundo, José Carlos Santos, da Padaria Dias, Paulo Martins, da Padaria Massa Mãe, Karina Nobre, da Quinta do Arneiro, Horácio Rodrigues, do Moinho e Azenha do Tombado e Teresa Vivas, da Mesa Cultura Gastronómica.
Entre os temas em discussão estiveram a valorização da profissão de padeiro, a transmissão de conhecimento e a importância de aproximar os jovens da panificação. Elisabete Ferreira defendeu uma maior união entre os profissionais e as associações ligadas ao pão, sublinhando a necessidade de dar visibilidade à evolução da profissão: “Nós temos que mostrar que o padeiro hoje tem conhecimento, tem forma de trabalhar e percebe”, afirmou, destacando também o contributo da investigação científica para qualificar a prática profissional.
A sessão de encerramento ficou a cargo de Jorge Loureiro, vice-presidente da AHRESP, assinalando o fecho de uma iniciativa dedicada à reflexão e à partilha de perspetivas sobre o presente e o futuro da panificação portuguesa.
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