Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, defendeu a necessidade de decisões políticas sustentadas em informação rigorosa sobre a restauração, alertando para a ausência de um cadastro dos estabelecimentos, apesar de a sua criação estar prevista na legislação: “Precisamos de dados. Nenhuma empresa, julgo eu, toma decisões sem informação”, afirmou, considerando imprudente discutir se existem restaurantes a mais ou a menos sem conhecer a realidade efetiva da atividade.
Para colmatar esta falta de informação, a AHRESP encomendou um estudo independente sobre o peso da cadeia de valor da restauração na economia portuguesa. Segundo os dados do estudo, em 2025, a atividade representou cerca de 10% do emprego nacional e 7,6% do Produto Interno Bruto (PIB): “O turismo é uma constelação de atividades, não é só o alojamento”, salientou Ana Jacinto, defendendo uma visão mais abrangente da importância económica da restauração.
Apesar deste peso, as empresas enfrentam uma conjuntura exigente, marcada pelo aumento dos custos dos combustíveis e dos produtos alimentares, pela pressão salarial e pelos encargos fiscais. Com margens que rondam os 3%, por comparação com cerca de 8% na economia em geral, a secretária-geral da AHRESP alertou para os riscos que esta pressão representa para a sustentabilidade da atividade: “Nós somos o motor da economia, mas o motor arrisca-se a gripar se continuarmos com este sufoco”, afirmou.
A fiscalidade foi também apontada como um fator de preocupação, nomeadamente a falta de harmonização da taxa de IVA sobre as bebidas, e a pesada carga fiscal que impende sobre os negócios.
Perante estes desafios, a secretária-geral da AHRESP destacou a importância da capacitação e da formação dos empresários, bem como do reforço das competências em matéria de segurança alimentar e saúde pública.
Reconhecendo a capacidade de resiliência demonstrada pela restauração, nomeadamente durante a pandemia, Ana Jacinto alertou para a necessidade de não dar essa capacidade como garantida. Num contexto económico desafiante, considera essencial que as empresas reforcem a eficiência, a preparação e a capacidade de gestão para enfrentar as dificuldades futuras.
O debate “Estará a restauração pronta para 2027?” foi promovido pelas Edições do Gosto e contou também com a participação de Miguel Garcia, fundador do Grupo São Bento, e de Vasco Mourão, do Grupo Cafeína. A conversa foi moderada pela jornalista Alexandra Prado Coelho.






