A escolha da Lufthansa para entrar no capital da TAP é um passo positivo para o turismo e para a economia portuguesa, mas exige prudência e respeito pelos interesses estratégicos do país. Esta foi a posição transmitida por Ana Jacinto durante a conferência “Turismo: É preciso mudar de rota?”, no âmbito dos Encontros Lusa, organizada pela Agência Lusa e pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), no Porto.
O Governo selecionou o grupo alemão com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital da companhia, prevendo concluir a operação até ao início de 2028. .
“É determinante a conectividade, como sabemos”, afirmou a secretária-geral da AHRESP, considerando positivo que esteja definido o investidor escolhido para entrar no capital da transportadora, embora reconheça que o processo ainda tem etapas por cumprir.
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Para a associação, a operação deve permitir reforçar a capacidade da TAP e as ligações aos mercados relevantes para Portugal. “O que importa é que tenha capacidade para investir, para reforçar aquilo que são os mercados que nos interessam, para dar mais escala e estamos convictos que é isso que vai acontecer”, declarou Ana Jacinto.
Acrescentar valor ao turismo e aos territórios
Além da conectividade aérea, a intervenção da secretária-geral da AHRESP abordou a qualificação dos profissionais, a rentabilidade das empresas e a valorização dos territórios.
Para Ana Jacinto, o caminho passa por reforçar a qualificação e a cooperação entre os intervenientes do setor, criando experiências diferenciadoras e assegurando que os benefícios do turismo chegam às empresas e às comunidades.
“Não é preciso mudar de rotas, mas é preciso demonstrar o valor das várias atividades que contribuem para a experiência turística”, afirmou, reconhecendo na gastronomia um dos atrativos de Portugal para conquistar novos mercados.
Neste contexto, destacou a escassez de trabalhadores qualificados como um dos problemas que afetam a restauração e outras atividades turísticas. Chamou também a atenção para a pressão sobre a rentabilidade das empresas, referindo que as margens da restauração se situam, em média, nos 3%, condicionadas pela inflação alimentar, pelos custos dos combustíveis, pelos encargos salariais e pela elevada carga fiscal e contributiva.
A aplicação das taxas turísticas foi outro dos temas abordados. A responsável alertou para a intenção de criar estas taxas em territórios de baixa densidade, considerando que a medida pode prejudicar a atividade se não atender à realidade local.
Defendeu que as receitas sejam aplicadas na valorização dos territórios e que essa utilização seja comunicada aos residentes, tornando visível o contributo do turismo para a melhoria das suas condições de vida.






