DN | Opinião de Ana Jacinto – “Machoesfera”: a violência amplificada, que vende e nos governa

Abr 9, 2026

No seu artigo regular de opinião no Diário de Notícias, a secretária-geral da AHRESP alerta para a normalização de discursos misóginos entre os mais jovens e para os impactos desta realidade na economia, na sociedade e na democracia

© Nuno Martinho

Leia  na íntegra o Artigo de Opinião de Ana Jacinto no Diário de Notícias

No texto “Machoesfera: a violência amplificada, que vende e nos governa”, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, parte de dados recentes para evidenciar uma inversão geracional preocupante. Um estudo internacional revela que “31% dos homens da Geração Z concordam que ‘a esposa deve sempre obedecer ao marido’”, uma percentagem significativamente superior ao registado em gerações mais velhas, contrariando a ideia de progresso social contínuo.

Para Ana Jacinto, esta realidade traduz uma contradição estrutural: “a igualdade é tolerada enquanto não ameaça a hierarquia tradicional”, coexistindo com discursos meritocráticos que continuam a reproduzir papéis de género desiguais. Sublinhando que a misoginia não desapareceu – antes, transformou-se, ganhando nova expressão no espaço digital –, é precisamente neste espaço que se “converte em produto; a atenção, em capital; o choque, em influência monetizável”.

“A igualdade não é apenas uma exigência ética; é uma condição de inteligência económica e de qualidade democrática”

A secretária-geral da AHRESP alerta que estas narrativas não são inofensivas: “desvalorizam as mulheres no espaço público, normalizam desigualdades salariais, fragilizam a liderança feminina e reinstalam dúvidas sobre o seu lugar no poder”. Mais do que uma questão ética, defende, trata-se de uma questão económica e democrática, lembrando que “a igualdade não é apenas uma exigência ética; é uma condição de inteligência económica e de qualidade democrática”.

Ana Jacinto defende, por isso, uma resposta que vá além da reação pontual, sublinhando que este é um tema que cruza educação, cidadania e economia. E deixa uma interrogação final: “quem está disposto a assumir essa responsabilidade coletiva?”

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