DN | Opinião de Ana Jacinto – SDR: entre a ambição ambiental e a realidade operacional

Mai 18, 2024

No seu mais recente artigo de opinião para o Diário de Notícias, a secretária-geral da AHRESP reflete sobre os desafios práticos da implementação do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), alertando para o impacto operacional e económico da medida nas empresas da restauração e bebidas

No artigo de opinião para o Diário de Notícias “SDR: entre a ambição ambiental e a realidade operacional”, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, reconhece a importância ambiental do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), considerando legítimos os objetivos de promoção da reciclagem e incentivo a comportamentos mais sustentáveis. Contudo, alerta para a distância entre a teoria do modelo e a realidade quotidiana das empresas.

“O problema, como sucede com frequência exasperante na transposição de boas ideias para a realidade, está na forma como o sistema foi concebido e, sobretudo, no que foi esquecido no momento do seu desenho”.

Ana Jacinto sublinha que é precisamente no terreno que começam a surgir algumas das principais dificuldades, sobretudo para pequenos estabelecimentos de restauração e bebidas, onde o espaço disponível, os recursos humanos e o ritmo operacional já funcionam no limite. Questões relacionadas com o armazenamento de embalagens usadas, higiene, gestão de resíduos e validação das devoluções representam novos desafios concretos para a operação diária.

A secretária-geral da AHRESP chama ainda a atenção para os custos associados à adaptação tecnológica e administrativa ao novo regime, desde a atualização de softwares de faturação até à formação das equipas para responder aos novos procedimentos exigidos pelo SDR.

“Introduzir novas obrigações sem garantir que são exequíveis de dar cumprimento diário pode transformar uma medida ambiental bem-intencionada num fator adicional de fragilização de milhares de pequenos negócios”.

Apesar das críticas identificadas, Ana Jacinto reconhece que o modelo atualmente implementado é mais equilibrado do que versões inicialmente propostas, valorizando os ajustamentos feitos ao longo do processo. Ainda assim, defende que persistem dificuldades operacionais e uma complexidade que não pode ser ignorada num contexto de forte pressão sobre as empresas do setor.

A concluir, a secretária-geral da AHRESP reforça que o setor não contesta os objetivos ambientais da medida, mas defende a necessidade de continuar a aperfeiçoar o sistema à luz da experiência prática das empresas. Porque, como sublinha no artigo, “um sistema só funciona verdadeiramente quando funciona para todos”.

Leia AQUI o artigo na íntegra.

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