Durante a FITUR, em Madrid, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, analisou a situação da restauração em Portugal, sublinhando que o setor enfrenta dificuldades transversais, ainda que nem sempre visíveis nas estatísticas oficiais. “Não sabemos se estamos perante uma crise profunda, mas sabemos que há muitas empresas com problemas que nos preocupam há muito tempo”, afirmou.
Segundo Ana Jacinto, muitos encerramentos acontecem de forma discreta, sem processos formais de insolvência. “As empresas fecham portas silenciosamente, e isso não entra nas estatísticas”, explicou, acrescentando que a presença da AHRESP no terreno, através das suas delegações regionais, permite acompanhar de perto esta realidade.
A pressão resulta da acumulação de vários fatores: inflação alimentar, aumento dos custos salariais, encargos energéticos, rendas elevadas e a continuação do pagamento dos créditos Covid. “Mesmo naqueles restaurantes em que a procura é alta, a rentabilidade começa a ser muito diminuta, e é preciso notar que a restauração já é, por si, um negócio que tem margens pequenas”, sublinhou.
Ana Jacinto destacou ainda o esforço significativo que as empresas têm feito na valorização salarial, num contexto em que a carga fiscal e contributiva sobre o trabalho permanece elevada. “O aumento dos salários tem representado um custo enorme para as empresas, que não é acompanhado por nenhum esforço do Estado”, alertou.
Relativamente às medidas anunciadas pelo Governo, a secretária-geral da AHRESP considera-as “bem-vindas”, lembrando, contudo, que “o que a AHRESP desejaria não eram apoios pontuais, mas ambientes fiscais e económicos positivos que permitissem às empresas gerar e distribuir riqueza e criar emprego”.
Lembrando que os instrumentos agora em preparação resultam de um trabalho persistente da AHRESP junto do Governo, em particular com o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, a expectativa centra-se agora na definição concreta das regras. “Vamos acompanhar de perto para perceber se as condições de elegibilidade vão ao encontro daquilo que o setor realmente necessita”, concluiu.






