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A restauração, os similares e o alojamento turístico continuam a enfrentar um contexto exigente. Em entrevista ao jornal SOL, Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, sublinha que o setor permanece pressionado por custos elevados, inflação alimentar, energia, salários e falta de mão de obra.
“A tendência será, certamente, essa”, afirma, quando questionada sobre o aumento do número de encerramentos. A responsável lembra que o setor reúne “quase 80 mil empresas e quase 400 mil trabalhadores”, sendo que “91% são microempresas e 51% são empresários em nome individual”.
Para Ana Jacinto, estes números obrigam a uma leitura mais próxima da realidade empresarial. “Se olharmos só para números macroeconómicos podemos cometer alguns erros”, defende.
Entre os principais fatores de pressão estão a inflação alimentar, que “não tem parado de subir”, os custos de energia e os encargos salariais. “Entre 2022 e 2025 tivemos um aumento de cerca de 23% com o objetivo de melhorar as condições salariais dos nossos colaboradores, até porque temos um problema estrutural de falta de mão-de-obra, mas não deixa de ser um custo acrescido que não é repartido com o Estado”, lembra.
“Aliás, quando fazemos este esforço de aumentar salários, muitas vezes, nem estamos a dar uma parte muito substancial de rendimento ao trabalhador porque acaba por ser consumido nos impostos”, sublinha ainda a secretária-geral da AHRESP.
A dificuldade em contratar tem levado muitos empresários a reorganizar horários, reduzir períodos de funcionamento ou encerrar mais dias por semana. “Alguns até optaram por não funcionar à noite ou a dar mais folgas”, explica Ana Jacinto.
A AHRESP defende, por isso, respostas mais estruturais e previsíveis, nomeadamente em situações de catástrofe. Ana Jacinto adianta que a associação tem vindo a dialogar com o Governo para a criação de um “Mecanismo Nacional de Proteção Financeira para Catástrofes Naturais, com intervenção do Banco Português de Fomento, que assumiria parte do risco associado a eventos climáticos severos”, evitando que o Estado tenha de responder caso a caso a incêndios, tempestades ou inundações.
Apesar das dificuldades, a responsável destaca também sinais de vitalidade no setor, de que é exemplo a diversidade de candidaturas aos Prémios AHRESP 2026, que chegam este ano à 10.ª edição e contaram com cerca de 400 candidaturas de todo o país. A gala final, onde serão conhecidos os vencedores das 10 categorias a concurso, realizar-se-á a 19 de junho no Casino Estoril (Votações até dia 21 de maio AQUI).






