Ana Jacinto defende uma maior articulação entre quem produz, transforma, distribui, dá expressão ao produto e representa o país. Sublinha que, numa economia como a portuguesa, a cooperação entre os diferentes elos da cadeia agroalimentar e os decisores públicos “não é um luxo. É uma condição de competitividade”.
A secretária-geral da AHRESP destaca também os desafios que atravessam toda a cadeia, como os custos de contexto, a burocracia, o licenciamento, a energia, a falta de escala, as exigências de sustentabilidade e a dificuldade de chegar a novos mercados. Perante estas dificuldades, afirma ser necessário concentrar esforços na criação de mais valor. “Discutir quem fica com a maior fatia interessa menos do que discutir como aumentar o tamanho do bolo”, argumenta.
É igualmente relevante o papel da restauração enquanto embaixadora natural da produção nacional, através de plataformas colaborativas dedicadas a diferentes fileiras, entre as quais iniciativas da AHRESP como a Plataforma Nacional do Pão, do Chocolate, da Pastelaria, das Cozinhas do Mar e do Vinho. Estes projetos, que integram produtores, empresas, artesãos, academia e centros de conhecimento, demonstram como a cooperação pode criar identidade, aproximar os produtos dos consumidores e gerar valor para todos os intervenientes.
A secretária-geral da AHRESP sublinha ainda que “a colaboração não elimina o conflito – torna-o produtivo”. E conclui: “Cada um por si, todos mais fracos.” Uma lógica que, segundo Ana Jacinto, Portugal precisa de ultrapassar, transformando fragilidades individuais em capacidade coletiva.






