AHRESP alerta para falhas no sistema Volta e pede soluções urgentes para o canal HORECA

Set 17, 2026

A Associação identifica vários constrangimentos no funcionamento do Volta, Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens, e considera que as soluções destinadas às empresas de restauração e do alojamento turístico não estão a responder às necessidades destes setores. O tema foi abordado por Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, no podcast Explicador, do Observador, como em declarações à Antena 1

Oiça as declarações de Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP no podcast Explicador do Observador.

A AHRESP alerta para as dificuldades enfrentadas pelas empresas do canal HORECA na devolução das embalagens abrangidas pelo Sistema de Depósito e Reembolso (SDR). O modelo prevê três soluções específicas para estes estabelecimentos: a recolha direta das embalagens pela Volta, a sua entrega em quiosques próprios ou através dos pontos de recolha existentes nos estabelecimentos de comércio a retalho. No entanto, segundo a Associação, nenhuma das opções está a funcionar de forma adequada.

“O Sistema de Depósito e Reembolso de embalagens não foi pensado adequadamente para as empresas do canal HORECA: estamos a enfrentar vários constrangimentos na operação”

Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, sublinhou que grande parte do território nacional continua sem qualquer quiosque disponível para que os empresários possam entregar as embalagens recolhidas nos seus estabelecimentos. “Os quiosques, adaptados ao canal HORECA, deveriam ser cerca de 50, espalhados por todo o território. Neste momento, existem apenas seis”, afirmou Ana Jacinto à Antena 1.

Quanto à recolha direta, Ana Jacinto explicou que o processo exige a adesão das empresas a um registo considerado complexo e moroso. Além disso, a frequência da recolha não responde às necessidades dos operadores. “A recolha direta nos nossos estabelecimentos também não é frequente e implica que o proprietário conserve, dentro do seu espaço, quatro sacos de embalagens. Muitas vezes, os estabelecimentos não têm espaço para isso”, justificando que estas dificuldades demonstram que o funcionamento do sistema não foi devidamente adaptado às características dos negócios da restauração e do alojamento turístico.

Os pontos de recolha localizados nos estabelecimentos de comércio a retalho, onde a devolução é efetuada embalagem a embalagem, implicam um investimento significativo de tempo e recursos humanos, que as empresas do canal HORECA nem sempre têm disponíveis. Acresce que estes equipamentos se encontram, com frequência, fora de serviço ou com a sua capacidade de armazenamento esgotada, dificultando ainda mais a devolução das embalagens. A sua utilização não está, assim, adequada às especificidades do canal HORECA, quer pelo modo de deposição das embalagens, quer pelo processo de reembolso, que não responde às necessidades e à dinâmica operacional destes estabelecimentos. “Há aqui questões que têm que ser avaliadas, porque traz custos, constrangimentos operacionais, e de facto, têm sido muitas as queixas”, sublinha Ana Jacinto à Rádio Observador.

A secretária-geral reforçou, ainda, o empenho da AHRESP no que toca ao cumprimento das metas nacionais de separação e reciclagem, sublinhando que esta é uma área em que a Associação está envolvida há vários anos. “Para nós a sustentabilidade não é uma moda, é um compromisso e portanto fazemos sempre parte da solução e não do problema”, afirmou, destacando o trabalho desenvolvido pela Associação na sensibilização e capacitação das empresas, através de webinars, ações de formação, sessões com a ASAE, materiais informativos e guias de aplicação de regulamentos e legislação.

A AHRESP tem mantido o diálogo com o Governo e com a SDR Portugal, entidade responsável pela gestão do sistema Volta, mas considera necessária uma resposta mais rápida aos problemas identificados, garantindo soluções eficazes e ajustadas à realidade das empresas.

Oiça as declarações de Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP à Antena 1.

PUB

Mais Artigos