Antena 1 | Jornal de Negócios – Restauração sob pressão: setor “no limite” para absorver custos

Abr 20, 2020

Num contexto de múltiplas pressões – económicas, laborais e geopolíticas –, a restauração portuguesa enfrenta um momento decisivo, onde a ausência de medidas estruturais poderá comprometer a resiliência de um dos setores mais emblemáticos do turismo (e da economia) nacional. Este foi o tema central da entrevista a Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, no programa 'Conversa Capital', parceria Antena 1/Jornal de Negócios

O ESSENCIAL DA CONVERSA CAPITAL | VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

PRESSÃO DE CUSTOS E MARGENS: inflação em algumas categorias de produtos alimentares já atinge 30%; agravamento esperado em abril pelo impacto tardio da guerra no Médio Oriente nos preços; empresas “no limite” — já vinham a acomodar sucessivos choques (pandemia, guerra na Ucrânia, tempestades, guerra no Oriente)

TRANSFERÊNCIA DE CUSTOS IMPOSSÍVEL: equilíbrio muito difícil entre transferir aumentos para o consumidor final (risco de perder clientes) e absorvê-los nas margens, que já são estruturalmente baixas na restauração

RETRAÇÃO DA PROCURA: nota-se claramente uma diminuição da procura — consumidor também viu o seu poder de compra reduzido; hábitos de consumo a mudar gradualmente

APOIOS DO GOVERNO — MEDIDA NA GAVETA: linha de apoio à tesouraria com componente a fundo perdido anunciada pelo Ministro da Economia antes das tempestades ficou parada; AHRESP aguarda implementação urgente e pede reforço da componente a fundo perdido, dado que a situação se agravou desde o anúncio

DÍVIDA DA PANDEMIA: muitas empresas ainda a pagar empréstimos contraídos durante a pandemia; proposta AHRESP de alongamento de prazos (dívida ao Turismo Portugal e à banca) ainda em negociação — interrompida pelas tempestades

ENCERRAMENTOS SILENCIOSOS: INE apenas regista insolvências formais; a maioria dos encerramentos é silenciosa — estabelecimento fecha sem formalização; AHRESP, com 25 pontos de atendimento no terreno, deteta este fenómeno diariamente

SISTEMA DE DEPÓSITO E REEMBOLSO (SDR) DE EMBALAGENS: legislação nacional já em vigor (garrafas plástico/latas, 10 cêntimos); regulamento comunitário entra em vigor a 12 de agosto com regras diferentes e mais problemáticas (sem obrigação de talão de origem, risco de garrafas de terceiros serem devolvidas no estabelecimento); muitas dúvidas operacionais, fiscais e de armazenagem ainda por clarificar pela APA e AT; custo de contexto adicional para microempresas

EMPREGO E RETENÇÃO DE TALENTO: défice estimado de +40.000 trabalhadores (pré-pandemia, agravado depois); acordo salarial de +5% em 2026, em cima de +8% médios dos anos anteriores; proposta de prémio de valorização salarial isento de TSU rejeitada pelo Governo; protocolo com Confederação Empresarial da CPLP para trazer trabalhadores de Moçambique (50 numa primeira fase)

IVA NA RESTAURAÇÃO: defesa da harmonização da taxa intermédia para todos os serviços de alimentação e bebidas — bebidas ainda à taxa máxima (23%) vs. retalho (13%); medida estrutural que permanece na agenda da AHRESP

LEGISLAÇÃO LABORAL: preocupação com o desfecho parlamentar da nova proposta sem acordo na concertação social; proposta em negociação continha evoluções positivas para o setor (sazonalidade, organização do trabalho); receio de resultado pior do que o atual

ÉPOCA ALTA — APREENSÃO: sentimento dominante nos associados é de “apreensão e dúvida”; mercados emissores tradicionais (UK, Alemanha, França) a decrecer; EUA e Canadá a crescer mas a menor ritmo; impacto do conflito no Oriente ainda por determinar — Portugal pode beneficiar da imagem de segurança mas custos das viagens são um travão

CTP — SUCESSÃO NA PRESIDÊNCIA: dois candidatos públicos; AHRESP marcou reunião de direção para 6 de maio para deliberar qual apoiar; decisão será colegial

Veja na íntegra a entrevista de Ana Jacinto no programa “Conversa Capital”

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